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Diz que deu, diz que dá, diz que Deus dará

Posted by Amanda Vaz Tostes on 03:30 in

Deus é um cara gozador
Adora brincadeira
Pois pra me jogar no mundo
Tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engraçado
Me botar cabreiro
Na barriga da miséria
Eu nasci brasileiro
Eu sou do Rio de Janeiro

Diz que deu
Diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, oh nega
E se Deus não dar
Como é que vai ficar, oh, nega?
"à Deus dará" , "à Deus dará"

Diz que deu
Diz que dá
Diz que Deus dará
Não vou duvidar, oh nega
E se Deus negar
eu vou me indignar e chega
Deus dará , Deus dará

Jesus Cristo ainda me paga
Um dia ainda me explica
Como é que pôs no mundo
Essa pobre titica
Vou correr o mundo afora
Dar uma canjica
Que é pra ver se alguém se embala
Ao ronco da cuíca
Um abraço pra aquele que fica, meu irmão

Deus me deu mãos de veludo
Prá fazer carícia
Deus me deu muitas saudades
E muita preguiça
Deus me deu pernas compridas
E muita malícia
Pra correr atrás de bola
E fugir da polícia
Um dia ainda sou notícia

Deus me fez um cara fraco
desdentado e feio
Pele e osso, simplesmente
Quase sem recheio
Mas se alguém me desafia
E bota a mãe no meio
Eu dou porrada a três por quatro
E nem me despenteio
Porque eu já tô de saco cheio.


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12 de janeiro, o dia da saudade

Posted by Beatriz Botelho on 18:18
 Hoje faz 6 anos que meu pai morreu e isso é tão triste. Não digo pela morte, acho que ela foi a solução para o sofrimento do meu pai. Digo pela ausência que fica quando se perde uma pessoa que você ama, ainda mais o pai, a figura masculina da casa, ao qual se respeita e se admira.

Perdi meu pai quando tinha 14 anos. Não tive tempo de conhecê-lo por inteiro. Talvez o que tinha dele era somente a figura do pai “bravo e inatingível” e por isso o respeito que tinha por ele era mais por medo do que por consideração. Tinha que sempre chamá-lo de “senhor” (usar o “você” para falar com ele era uma ofensa) e pedir “benção” toda noite.  Queria ter conhecido o pai “amigo, companheiro, presente” sem medo, sem receio. Mas faltou tempo.

Queria que hoje ele visse a mulher que eu me tornei. Não sou mais a “Bibi” que ele via andar à cavalo no sítio aos domingos... Queria que ele tivesse participado dos meus 15 e 18 anos e das minhas conquistas nos vestibulares. Queria que tivesse sido o primeiro a dar uma volta de carro comigo depois que consegui minha carteira de motorista e que ele tivesse cantado as modas de viola que ele tanto gostava enquanto eu tocasse o violão. Queria que ele visse a sua futura jornalista, que não vai mais ao sítio e nem anda mais à cavalo.

Seis anos já se passaram. Já me conformei com a ausência do meu pai, mas sinto muita falta dele: do abraço, do sorriso, do jeito bruto das brincadeiras e até mesmo das broncas. Ai que saudade de ouvir ele me chamando de Bibi... Saudades de ver a blusa bordô, a calça jeans, a botina, o chapeu, o bigode, a barriga. Como o senhor faz falta, pai!
Papai e Bibi

Lembro que no meu aniversário, último que ele passou comigo, ele me abraçou e falou assim: “É fia, desculpa, o pai não comprou presente pra você.” E eu respondi: “Não tem problema, pai, meu presente é que o senhor fique bem logo. Tenho certeza que ele ficou e está muito melhor agora. Só queria ter tido mais tempo para demonstrar o meu amor por ele. Mas hoje, seis anos depois, eu tenho a certeza que esse amor que eu tenho por ele é muito maior e que a saudade é maneira de fazer com que ele aumente.

Te amo, pai! E isso é eterno.



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